Ide e Pregai

O Documentário é um resumo da história das Assembléias de Deus no Brasil a começar pela chegada dos missionários e pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren, em Belém do Pará.

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O Espelho dos Mártires

O Documentário relata em detalhe o modo de vida e as persiguições que sofreram os cristão primitivos e como foram martirizados os Apóstolos de Cristo.

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Filme ´180`: 33 minutos que mudarão sua opinião sobre o aborto

O Ministério Living Waters, dos Estados Unidos, produziu recentemente um documentário impactante e fantástico sobre o aborto. O filme traz como título ‘180’ e instiga as pessoas a mudarem de opinião sobre o aborto e outras questões bíblicas.

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Onde devo estudar teologia?

>> terça-feira, 23 de outubro de 2012



Por - Daniel Santos Jr.



Tenho recebido constantemente e-mails pedindo sugestões quanto a seminário ou universidade onde cursar um bacharelado em teologia, mestrado ou até mesmo doutorado. Eu já pensei várias vezes em criar uma resposta padrão em que pudesse apenas trocar o nome do destinatário, mas isso seria uma falta de respeito para com alguém que, a meu ver, está pedindo conselhos para tomar decisões importantes em sua vida.

Não é fácil dar conselhos e dicas nesta área, pois há uma quantidade enorme de variáveis que se alternam de pessoa para pessoa, por exemplo: idade (acima de 40 anos – é quase impossível conseguir bolsa de estudo); situação financeira (pessoal ou da instituição em que trabalha); situação familiar (casado, solteiro, com filhos, etc.); proficiência em línguas modernas de pesquisa (inglês, francês ou alemão); quanto tempo dispõe para completar os estudos; como e onde pretende aplicar o conhecimento adquirido e, por fim, (e esta é a pergunta mais difícil de responder), por que você precisa fazer o curso que deseja?

Quando a procura é o primeiro curso de teologia, tenho sugerido sempre quatro perguntas que podem servir de parâmetro para uma decisão: Quem serão os seus mestres? Quem foram os mestres daqueles que serão os seus mestres? Que tipos de pessoas têm procurado aprender com aqueles que serão os seus mestres? Que tipo de atuação e influência aqueles que serão seus mestres têm fora da instituição de ensino?

1. Quem serão os seus mestres?

É muito comum encontrar pessoas procurando um curso de teologia por causa de associação denominacional, acomodações (moradia para casados ou solteiros) ou localização (próximo de casa). No caso da associação denominacional, às vezes, há uma exigência clara encaminhando seus líderes para um determinado local onde possam  receber treinamento teológico. Nestes casos, não há muito que escolher.

Todos estes aspectos são importantes e podem definir ou restringir bastante as possibilidades, mas gosto sempre de frisar a importância de se saber quem serão os seus mestres. Há muita coisa que pode ser aprendida sem que haja necessidade de frequentar um seminário ou qualquer sala de aula; mais do que muitos imaginam. Todavia, se você chegou ao ponto de procurar uma instituição de ensino teológico pressupõe-se que o relacionamento professor/aluno acontecerá. Em outras palavras, você terá que aprender com alguém, seja este alguém um professor ou um grupo de pesquisa. Professores terão a responsabilidade de guiá-lo, desafiá-lo e encorajá-lo em sua jornada, mas eles terão também a difícil tarefa de avaliar o seu progresso. É nessa hora que você lamentará ou dará graças a Deus pelos seus mestres, pois a sua experiência de aprendizagem e formação pode se transformar rapidamente num pesadelo.

Quando eu digo “quem” serão os seus mestres, a minha ênfase não é necessariamente na lista que aparece no website da escola, pois muitos professores não estarão disponíveis para todos os programas oferecidos naquela instituição. Outras vezes o professor é apenas visitante ou palestrante esporádico. Poderia enumerar vários casos de pessoas que me disseram estar interessadas em um seminário por causa de um professor em particular. Que decepção quando as informei de que a pessoa que procuravam ter como mestre não ensinava mais naquela instituição há vinte anos.

Eu aconselho você a conhecer seus mestres antes de se decidir quanto ao seminário ou escola de teologia. Procure um jeito de assistir a uma aula (mais de uma, se for possível) com tal professor ou professora, e veja como é a comunicação com os alunos, como se prepara e apresenta seu conteúdo. Tente uma entrevista com tal professor ou professora e troque algumas idéias com o propósito de perceber sua disposição de caminhar junto com você em sua jornada. Ainda que não seja muito comum, não é raro encontrar pessoas que são excelentes escritores, mas péssimos professores. Ninguém é perfeito. Continue apenas lendo seus livros. Há muitos professores que não querem qualquer contato com alunos, pois estão bastante comprometidos com suas pesquisas e outras responsabilidades administrativas. Novamente, ninguém é perfeito. Alguém tem que administrar a escola. Em suma, conheça aqueles que serão os seus mestres antes de decidir sobre o local onde você buscará sua formação teológica.

Quando você encontrar mestres que correspondam às suas expectativas, busque aprender com eles nem que seja sentado debaixo de uma árvore. Vale a pena! Aprender com quem quer ensinar, quem sabe ensinar e tem amor pelo que ensina faz toda a diferença, especialmente quando o assunto é a Bíblia. Que decepção ter que aprender (neste caso a melhor palavra seria apenas “assistir aulas”) com alguém que você percebe não tem o menor prazer no que está fazendo, não sabe ensinar e não tem o menor respeito e honestidade com a Bíblia.

2. Quem foram os mestres dos seus mestres?

Quando você começa a conhecer mais a fundo os seus mestres, uma coisa fica evidente: eles são representações melhoradas ou pioradas daqueles que foram os mestres deles. Você precisa entender uma coisa: ensinar é apenas a resposta inevitável do desejo e necessidade de aprender. Geralmente quem não gosta de aprender não gosta de ensinar.  A maior lição que os mestres dos nossos mestres podem ter passado é exatamente este amor pela aprendizagem. Quando você procura saber quem foram os mestres daqueles que serão os seus mestres e descobre que ele ou ela perpetua práticas de ensino simplesmente porque foram ensinados daquela forma, cuidado. É bem possível que ele ou ela nunca irá mudar seu jeito de dar aula. Em outras palavras, é improvável que uma pessoa que tenha estudado cinco anos de sua vida com alguém extremamente piedoso e honesto para com a Bíblia venha a se tornar um teólogo cético e desonesto.

Veja bem, eu não quero dizer com isso que alguém que tenha estudado sob a orientação de um teólogo conhecido pela sua posição cética em relação à inspiração das Escrituras não mereça nossa confiança. Não necessariamente. O discípulo pode ser uma versão melhorada do seu mestre. Tenho grande respeito e consideração por alguém que tenha estudado numa instituição secular (e até hostil ao evangelho) e não se torna uma versão piorada dos seus mestres. Sua experiência de contato com aquele contexto só o preparou para dialogar com maior firmeza e sofisticação entre aqueles que não compartilham da mesma convicção teológica de nossa tradição denominacional.

Se eu tivesse que refazer toda a minha caminhada de formação teológica eu seguiria o seguinte roteiro no que tange aos mestres dos meus mestres: a) procuraria saber quem foi o orientador de pesquisa deles, b) procuraria saber quem foram os seus contemporâneos naquela instituição e o que eles estão fazendo hoje, c) procuraria saber e conhecer um pouco sobre o conceito de aprendizagem dos mestres dos meus mestres e como isso foi assimilado pelos que serão os meus mestres, e d) eu procuraria saber se eles querem acompanhar a minha jornada de aprendizagem (isto vale especialmente para orientação de dissertação).

Tendo dito todas estas coisas, não posso deixar de mencionar um ponto: há muitos professores excelentes, com os quais você passaria a vida inteira aprendendo se fosse possível. Eles ensinam porque amam aprender, amam ensinar e amam aos que querem aprender com eles. Onde você encontra esses professores? Comece a procura descobrindo quem foram os seus mestres.

3. Que tipos de pessoas querem aprender com seus mestres?

A nossa jornada de aprendizagem e formação teológica não depende apenas dos mestres. Eu defendo a tese de que devemos fazer parte de uma comunidade de aprendizagem. Neste caso, aqueles que procuram aprender com os meus mestres irão influenciar a minha formação. Mas antes de entrar nesta questão, deixe-me apenas lançar um alerta – comece a desconfiar de mestres que atraem somente pessoas céticas e desonestas para com a Bíblia. Comece a desconfiar se nenhum dos alunos que procuram aprender com seus mestres está servindo a Deus envolvido com uma igreja local. O tipo de pessoas que comumente tem procurado aprender com meus mestres deveria me dizer alguma coisa sobre aquilo que devo esperar desses. Em outras palavras, por que você acha que aquele professor despertou o interesse em você e naquela pessoa totalmente diferente de você? O que há em comum entre você e aquela tal pessoa?

Em segundo lugar, como eu disse anteriormente, os tipos de pessoas que se assentam numa sala de aula comigo terão uma influência inquestionável em minha formação teológica. Tenho ensinado há mais de quinze anos em diversos contextos e posso garantir que a influência do grupo (negativa ou positiva) é inevitável, determinante e recomendada! Logo, a escolha de onde você procurará sua formação teológica deve levar em consideração os tipos de pessoas que também procuram aprender com seus mestres.

4. Que tipo de influência e atuação externa estes mestres têm?

Um bom professor ensina aquilo que ele ou ela é. Isto requer integridade. Antes de escolher uma instituição de formação teológica, procure saber o tipo de influência e atuação que os seus mestres têm no mundo exterior à sala de aula. O motivo é apenas o de verificar consistência e integridade de caráter. Uma verificação como esta lhe permite rapidamente descobrir se a sala de aula funciona como um palanque ou como um laboratório de aprendizagem. Quando o elemento motivador de aprendizagem do seu mestre é uma causa pessoal que ele ou ela tem (racismo, feminismo, liberalismo, fundamentalismo, etc.), a sala de aula se torna facilmente um palanque que divulga suas convicções entre os alunos. Quando o elemento motivador de aprendizagem é uma causa do reino de Deus, nossos mestres geralmente serão mais abertos para aprender, também com os alunos e demais professores. Além disso, conhecer a influência externa deles nos possibilita saber se há integridade de caráter.

Qual é o melhor seminário? Qual é o melhor curso de teologia? Quem são os melhores mestres? Onde estão os melhores alunos? Mais cedo ou mais tarde você perceberá que essas quatro perguntas estão bastante atadas ao que entendemos ser aprendizagem.

Há muitos alunos que não deveriam jamais estar numa sala de aula procurando formação teológica, pois eles não sabem o que querem, não querem abrir mão do que “acham que sabem”, e não estão dispostos a aprender com aqueles (professor e alunos) que realmente sabem. Por outro lado, há muitos homens e mulheres de Deus que deveriam investir mais e o mais rápido possível em sua formação teológica, pois suas vidas são um testemunho de que todos nós precisamos de mestres e de discipulado constante.

Daniel Santos

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- Sobre o autor: Daniel Santos é professor de Antigo Testamento e pesquisador no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper em São Paulo, Brasil. // Daniel Santos is Old Testament professor and researcher at Andrew Jumper Graduate Centre in Sao Paulo, Brazil

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Fé(de)mais cheira mal: Pastor da Igreja Mundial mergulha no Tietê com pedidos de oração

>> segunda-feira, 22 de outubro de 2012





Pela quarta vez, pastor da Igreja Mundial do Poder de Deus mergulha no rio Tietê com pedidos de oração nas mãos. O ato insano e nojento “de fé” aconteceu no final do ano passado.

dica do Elieser Santos
Fonte: Pavablog

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A figura do pastor profissional: uma realidade de nossos dias


Por Márcio Jones

Seus movimentos são fria e milimetricamente calculados. Caminhar lento e passos firmes. Olhar penetrante, persuasivo, e fala convincente, com alternâncias de tonalidade e volume. Um levantar de mãos aqui, um soco no ar ali, e desse modo ele vai conduzindo a sua reunião "profética". Nada disso, no entanto, se dá antes que o grupo de louvor engendre a atmosfera emocional propícia, que tenha o condão de fazer fluir lágrimas pelo rosto dos ouvintes ou, ao revés, os conduza à visualização de uma situação de guerra, em marcha, muito bem delineada pelas películas retumbantes da bateria e pelos gestos efusivos das dançarinas. Ato dois: os fieis se encontram à sua mercê. Hipnotizados, anestesiados pela "unção" que parece emanar da epiderme do pregador. Transpiração, calafrios, choro e rajadas de línguas permeiam o ambiente. Até que, sob a orientação do pseudo-mensageiro, quão logo se dispersa a “atmosfera espiritual”, apanham a Escritura, abrem-na e leem um único versículo - quando não são desencorajados a abri-la. Tomam assento. Inicia-se a interminável digressão do pregador, sob um tema sempre curioso, intrigante ou cabalístico, que introduz a aura gnóstica de revelação só a ele acessível, por óbvio. O texto é o ponto de partida, mas não o de chegada; aponta a direção, mas interessam mais os desvios do caminho. Ao final do sermão, exclamam um e outro: "por dezenas de vezes li tal texto e nunca notei o aludido pelo pregador. Verdadeiramente ele é um homem ‘ungido’”! Não me refiro a Jonas Nightengale, o ficto evangelista protagonizado por Steve Martin em Fé demais não cheira bem, mas à figura do pastor — neopentecostal —  de nosso tempo.

Por conseguinte, apelo: pastor, exponha a Cristo crucificado, e não suas técnicas persuasivas de manipulação de massas. Já foi dito que o púlpito não é um local para discurso acerca de preferências e opiniões pessoais, para pirotecnias ou extravasar de megalomanias, mas para a fiel exposição da Sagrada Escritura.  Utilizar-se do momento de maior preeminência durante um culto público para turvar mais ainda a visão daqueles que já andam a tatear em um contexto cristão de absoluto analfabetismo bíblico é um atentado contra a obra do Senhor. A pregação do evangelho, no dizer de Calvino, é centro da vida e obra da igreja. Tal momento não serve de palanque para teatralidade ou demonstração de uma espiritualidade que mais estatui um sistema de castas, à semelhança do existente na Igreja Romana, levando as ovelhas a vislumbrar um “nível de intimidade com Deus” ao qual elas nunca chegarão. Entenda que os pregadores de maior destaque na história da igreja foram aqueles que não se apegaram a nenhuma forma de exibicionismo ou a subterfúgios psicológicos, antes se esvaziaram até que nada mais de si restasse. Compreenderam que, ao se apequenar, pela graça de Deus, poderiam se fazer hábeis instrumentos nas mãos do Senhor. Compreenderam que ao Senhor pertence a glória, no diapasão do dizer de C. H. Spurgeon, ao exprimir seu anseio como cooperador do Reino, nas seguintes palavras: “que eu seja sepultado em algum lugar silencioso, onde as folhas caem e os pássaros brincam e onde as gotas de orvalho brilham nos raios de sol; e se acaso tenha que ser escrito algo sobre mim, que seja o seguinte: "aqui jaz o corpo de um "João Ninguém", esperando pelo surgimento de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo". É necessário que Ele cresça e nós diminuamos (Jo 3:30).

Paulo, o abnegado apóstolo, ao pregar aos cristãos de Corinto deixou-lhes claro que não fez sobressaltarem os seus dons naturais como se o evangelho de Jesus se resumisse à ostentação de linguagem ou de sabedoria (1 Co 2:1), mas que não teve outro objetivo a não ser expor a Cristo e este crucificado (1 Co 2:2). O apóstolo não somente entendia o que estritamente lhe competia anunciar, como despenseiro que da obra de Deus, contudo também se encontrava imbuído até as entranhas por um santo temor por entender que sua incumbência não estava calcada em mérito pessoal, e sim na transbordante misericórdia proveniente de Deus (2 Co 4:1). A mensagem do evangelho não demanda muletas para que alcance plena eficácia, métodos mirabolantes que o façam mais atrativo para quem deseja uma religião que o faça lembrar-se de tudo que o agrada no mundo. E nesse itinerário tudo é permitido, sob a bandeira do pragmatismo: o importante são os resultados, não importando os meios.

O evangelho autêntico continua a ser o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. O pregador não necessita de lançar mão de outro meio a não ser a fiel exposição da Escritura. Ora, penso que se o evangelho se constituísse em algo alcançável mediante esforços intelectuais ou cognitivos, seria perfeitamente lícito ao homem, além de gloriar-se por seus próprios méritos, entupi-lo com toda a sorte de mecanismos psicológicos para arrebanhar uma gama de simpatizantes que sequer cogitam o porquê de poderem se declarar cristãos e de serem verdadeiramente salvos. Não é este, porém, o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual não atribui glória a homem algum, mas confere única e exclusivamente a Si mesmo, o Senhor da Glória, todo o louvor, majestade, domínio, aclamação, honra pelos séculos dos séculos. Não a nós Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e fidelidade (Sl 115:1).

Sola scriptura

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Reflexões sobre profecias humanas

Por Isaltino Gomes Coelho Filho

Em um dos meus pastorados, assumi pregar uma série de sermões sobre Cristo no Apocalipse. Não analisaria o livro, mas veria os retratos de Cristo. Dispondo de cerca de 30 comentários sobre o Apocalipse e algumas versões bíblicas, julguei ter material suficiente. E tinha. O bastante para me confundir e me deixar perplexo com a facilidade com que as pessoas fazem “profecias”.

Preparei a primeira mensagem, “O cartão de visitas do Cristo glorificado” (1.4-6), e fui para a mensagem no texto de 1.7. O tema seria “Ele vem!”. Um dos livros que usei, embora superficialmente, foi o comentário de Champlin sobre o Novo Testamento. O comentarista remete os leitores a um artigo no volume 1 (o comentário do Apocalipse está no 6): “A tradição profética e a nossa era”. E afirma sobre o artigo: “Que a história julgue a veracidade do que é dito aqui. Que o leitor consulte, mas não condene antes do tempo!” (p. 374). Meu exemplar da obra de Champlin está datado de 4.2.1980. Passados 32 anos, a história julgou seu artigo. Pinço trechos de sua obra, sem os comentar. Como ele pediu, que o leitor julgue. Nada tenho contra o autor, mas é para vermos o risco de declarações humanas feitas como se fossem oráculos do Senhor. As citações são do artigo “A tradição profética e a nossa era”, às páginas 180-184 do volume 1 de O Novo Testamento interpretado versículo por versículo.

(1) “Nossos filhos, se não nós, veremos Israel nacionalmente convertido a Cristo. Dentro dos próximos 35 anos Israel tornar-se-á a poderosa nação cristã ‘missionária’, a mais fanática de todas, substituindo certas nações que agora arcam com a responsabilidade missionária”.

(2) “Ezequiel 38 e 39 descrevem a posição da Rússia nos últimos dias (...). Tudo começará com a invasão russa nas terras dos combatentes árabes e judeus (pois esse conflito prosseguirá interminavelmente) e isso provocará o início da Terceira Guerra Mundial (...). Isso terá lugar em algum ponto perto do fim do século XX”.

(3) Sobre o anticristo: “Cremos que esse homem já vive, a confiar nas declarações de certos místicos contemporâneos, que se sabe possuírem poderes preditivos (...). É perfeitamente possível, conforme já foi predito por alguns deles, que o anticristo tenha nascido a 5 de fevereiro de 1962. Notemos que esse ‘ano’ é igual a 666 numericamente considerado, pois se adicionarmos 1+9+6+2 = 18, ou seja, três vezes seis (...). No começo da década de 1990 esperamos vê-lo”.

(4) Sobre a Terceira Guerra Mundial: “Grande terremoto atingirá Israel dando a seus inimigos árabes uma vantagem momentânea do que resultará a invasão das terras de Israel. Perdas imensas terão lugar, em ambos os lados, e isso continuará até cerca de 1988 (...). Por volta do ano 2000, as forças comunistas terão sido isoladas no Oriente Médio”.

(5) “Em meio a esse pior de todos os holocaustos, subitamente se tornará visível no firmamento o sinal do Filho do homem, uma grande cruz luminosa. Jesus será visto corporalmente entre os soldados israelenses, que estarão lutando pela sobrevivência da própria nação, quando estiverem quase perdendo a esperança de que isso será possível. As notícias de que Jesus está conosco se propagarão como um incêndio por todo o Israel. Os homens serão convocados para a vitória. Israel proclamar-se-á uma nação cristã; e tendo sobrevivido tornar-se-á a mais poderosa nação cristã da época”.

(6) Sobre cataclismos: “A geologia revela-nos que por muitas vezes, na história do globo terrestre, seus pólos magnéticos subitamente mudaram de posição, provocando imensos dilúvios destruidores (...). Alguns cientistas predizem que isto pode estar próximo. Isso pode ter algo a ver com a derrubada do anticristo e pode estar associado ao segundo advento de Cristo” (o itálico é meu).

No volume 2, no comentário sobre Lucas 21.9 (p. 202): “A Terceira e a Quarta Guerras Mundiais, que esperamos para antes de 2025 – a terceira virá antes do fim do nosso século XX – serão guerras atômicas”.

Champlin não está só. Muitos devem se lembrar das precipitações sobre o alinhamento dos planetas, em 1982. Lawrence Olson lançou um livro intitulado O alinhamento dos planetas. Meu exemplar é da quinta edição, mas outras foram tiradas. Quanto argumento vazio, mal alinhavado, sem sentido algum! Tudo para provar que Jesus poderia voltar em 1982! E o que dizer de A agonia do grande planeta Terra, de Lindsey, que vendeu uma edição em três meses! Quanta impropriedade, quanta exegese a fórceps, com passagens sacadas do contexto, e fatos históricos mal interpretados! O Mercado Comum Europeu era dado como o Império Romano Redivivo assim que chegasse a dez nações, cumprindo profecias de Daniel e Apocalipse (p. 88). Já são 25 nações. Jean- Jacques Servan Schreiber é insinuado como o “fuehrer do futuro”. Na obra Evangélicos em crise, Paulo Romeiro transcreve pregação de Valnice Coelho marcando a volta de Cristo para 2007 (p. 182). Passaram-se cinco anos, Cristo não voltou e ela, convenientemente, se calou. Impressiona a empáfia com que pregadores fazem afirmações deste tipo. Errando, não se desculpam! E ainda são levados a sério!

Não quero ridicularizar Champlin, Olson, Lindsey e Valnice. Seus adeptos farão vistas grossas a seus erros e me criticarão por “tocar nos ungidos do Senhor”. Cegueira mental e espiritual é terrível! Mas o leitor que tem bom senso pode avaliar seus escritos. Não desprezo tais pregadores. Mantenho comigo a obra de Champlin, consulto-a em alguns textos e ele me elucida porque nem só de equívocos vive uma pessoa. Mas não me calo com a falta de seriedade no que se chama de “profecia” e na pompa egomaníaca com que seus autores as proferem. É incrível: há quem os justifique! Talvez por causa de uma citação de Demóstenes, registrada no livro de Lindsey: “Cremos em qualquer coisa que quisermos”. Deve ter sido por isto que ele escreveu A agonia...

O Antigo Testamento nos dá o fio de prumo para analisarmos os chamados “profetas” de hoje. Diz Deuteronômio 18.21-22: “E, se disseres no teu coração: Como conheceremos qual seja a palavra que o Senhor falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás”. Se não se cumprir, a profecia não é de Deus. Simples, não é? Mas não é tudo. Se o profeta falar, o que ele disser se cumprir e ele se valer disto para desviar o povo da Palavra, deve ser rejeitado. Diz Deuteronômio 13.1-5: “Se levantar no meio de vós profeta, ou sonhador de sonhos, e vos anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o sinal ou prodígio de que vos houver falado, e ele disser: Vamos após outros deuses que nunca conhecestes, e sirvamo-los, não ouvireis as palavras daquele profeta, ou daquele sonhador; porquanto o Senhor vosso Deus vos está provando, para saber se amais o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Após o Senhor vosso Deus andareis, e a ele temereis; os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis; a ele servireis, e a ele vos apegareis. E aquele profeta, ou aquele sonhador, morrerá, pois falou rebeldia contra o Senhor vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito e vos resgatou da casa da servidão, para vos desviar do caminho em que o Senhor vosso Deus vos ordenou que andásseis; assim exterminareis o mal do meio vós”. Não quero o apedrejamento desses profetas. Só mostro que em vez de ouvi- -los devemos rejeitá-los. O padrão é a Palavra de Deus. Se a temos como autoritativa e revelação completa, fiquemos com ela. Ela basta.

Passou da hora de dar um basta em revelações, profecias, visões, sonhos e interpretações particulares que avultam em nosso meio. Rejeitemos a megalomania de pregadores que se dizem “canal especial de Deus para esta geração”. Diz Jeremias 23.28: “O profeta que tem um sonho conte o sonho; e aquele que tem a minha palavra, fale fielmente a minha palavra. Que tem a palha com o trigo? diz o Senhor”. Por fim, guardemos Isaías 8.20: “A Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva”. Firmemo-nos na suficiência das Escrituras e afirmemos um princípio hermenêutico: quando a Bíblia é explícita, somos explícitos e falamos. Quando ela se cala, nós não inventamos e nos calamos. Que cessem as comichões nos ouvidos e voltemos ao apego às Escrituras. Elas são a verdade. Sobriedade no ensino bíblico nunca fez mal a alguém.

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